Recursos Humanos e Gestão do Trabalho em Saúde: da Teoria para a Prática
O processo de mundialização das economias, contrariando o ufanismo de melhoria na repartição das riquezas e de um mundo mais homogêneo, acirrou a assimetria entre os países, elevando os patamares de pobreza de um conjunto majoritário de nações que concentram dois terços da população mundial e estabelecendo novas formas de organização do Estado e de reestruturação produtiva. Essas são assentadas em três grandes eixos: novas tecnologias, novas formas de organização do trabalho e da produção e novas formas de gerenciamento. Essa globalização contornou uma nova divisão internacional do trabalho, estabelecendo uma concorrência desleal entre países centrais, semiperiféricos e periféricos. As forças do mercado não operam no sentido da igualdade, mas por estímulo a padrões concorrenciais de eficiência definidos pela racionalidade do modelo econômico capitalista. Esse movimento reforça uma disponibilidade de postos de trabalho menos qualificados e mais mal remunerados nos países pobres. Assim, as mudanças no mundo do trabalho apresentam reflexos significativos na organização societária e no deslocamento da centralidade do trabalho como estruturante da sociabilidade humana. Continua sendo grande o desafio tanto para os formuladores das políticas de saúde como para os gestores de saúde a tarefa de construir um novo modelo assistencial, não se restringindo o atendimento às demandas da doença, mas indo além, procurando desenvolver ações que visem à integralidade da assistência e dos serviços de saúde, tendo a satisfação dos usuários como um dos indicadores de saúde. Às instituições de ensino cabe o desafio de estabelecer estratégias no processo de formação que levem à construção de uma prática multiprofissional, interdisciplinar, humana, ética e compartilhada e possibilitem o desenvolvimento de ações cuidadoras na perspectiva da educação permanente em saúde pautadas pelo Sistema Único de Saúde.