Recursos Humanos e Gestão do Trabalho em Saúde: da Teoria para a Prática
O processo de mundialização das economias acirrou a assimetria entre os países, elevando os patamares de pobreza de um conjunto majoritário de nações e estabelecendo novas formas de organização do Estado e reestruturação produtiva. Essa globalização contornou uma nova divisão internacional do trabalho, gerando uma série de desafios para a gestão do trabalho, inclusive no setor saúde. A problemas antigos, como a baixa remuneração das equipes e a iniquidade distributiva da força de trabalho, somaram-se novos: a migração entre países, a baixa capacidade de preparação e fixação de recursos humanos e o impacto das epidemias na força de trabalho da saúde. Para os autores, o “novo” campo de atuação da gestão do trabalho em saúde e do gestor de recursos humanos pode ser configurado em um conjunto de atividades que envolvem: planejamento, captação, distribuição e alocação de pessoas em postos de trabalho, com a qualificação requerida e com medidas que fortaleçam a fixação desses profissionais; oferta de possibilidades de formação e capacitação que atendam às necessidades de desenvolvimento de competências para atenção à saúde de qualidade; e medidas no campo da regulação do trabalho com intermediações com as corporações profissionais, o mercado educativo e a sociedade. Assim, a agenda para a gestão do trabalho em saúde deve incluir o fortalecimento de práticas gerenciais que busquem consensos e acordos para atender aos conflitos entre os interesses corporativos e sociais envolvidos, objetivando uma visão ampliada do direito à saúde garantido constitucionalmente, como no caso do Brasil; e a incorporação da prática da avaliação como instrumento de fortalecimento e transformação tanto da própria gestão como de construção de capacidades para a formulação de políticas públicas. Mais ainda, a valorização do capital humano e do conhecimento como forças produtivas e mediadoras, não só do direito à saúde, mas também de desenvolvimento social.