Gestão do Trabalho em Saúde no Contexto de Mudanças
A gerência de recursos humanos nos sistemas de saúde, em geral, tem buscado enfatizar a necessidade de priorizar políticas institucionais voltadas para a produtividade e a qualidade dos serviços oferecidos à sociedade, preocupando-se cada vez mais com as condições em que esses serviços são produzidos. É que pensar recursos humanos como eixo da estrutura organizacional significa pensar estrategicamente, pensar modernamente. Apesar de a saúde ser uma área de proteção, regulação e controle do Estado, a realidade brasileira oferece farto material empírico que aponta para uma inadequada e perigosa desarticulação entre a saúde como bem público e aqueles que produzem este bem. O mundo moderno aponta para questões extremamente importantes no que se refere a alguns desafios do fim de século: a qualificação do profissional que presta os serviços; o desnível de formação profissional e estruturação de equipes de trabalho; a formação; a feminização do contingente de saúde, provocando mudanças significativas no processo de trabalho; a burocratização, racionalização e o estabelecimento de rotinas para as atividades até então desenvolvidas de forma semiartesanal. A municipalização, a descentralização e a reforma do Estado, em especial a reforma do sistema de saúde brasileiro, têm levado gestores, formadores e o movimento sindical a buscar a formulação de uma nova agenda para os recursos humanos em saúde. É sobre essas questões que trata este artigo, que discute a gestão do Sistema Único de Saúde, enfocando os profissionais que estão diretamente vinculados à assistência, produzindo serviços de saúde. O texto também traça políticas que contemplem um programa de revalorização dos recursos humanos em saúde.