O Desafio da Gestão do Trabalho no SUS

Do início dos anos 1950 até meados dos 1980, a preocupação dos gestores públicos na área da saúde estava restrita ao financiamento, à estrutura da rede e à organização dos serviços. A questão dos recursos humanos era abordada apenas como um dos insumos necessários, junto com os recursos materiais e financeiros. Só nas décadas de 1980 e 1990, a partir da reestruturação produtiva, a discussão sobre um novo paradigma do trabalho nas sociedades pós-industriais recoloca a centralidade do trabalhador no processo produtivo, ampliando a discussão sobre a gestão do trabalho, o que inclui repensar os processos de planejamento e qualificação do trabalho e do trabalhador, colocando assim uma nova agenda para os gestores. No entanto, é visão corrente que os profissionais de saúde não têm sido formados com os conhecimentos, as habilidades, as atitudes e os valores suficientes para o adequado desempenho nos serviços públicos. Também é patente a desigualdade da oferta do mercado educacional para a formação dos profissionais de saúde no Brasil, tanto geográfica quanto qualitativa. Esses problemas se reproduzem e se multiplicam em todas as esferas de governo, nos diferentes setores da administração pública, comprometendo a capacidade gestora do Estado na garantia dos direitos de cidadania assegurados na Constituição. Para os autores, se hoje há um consenso no âmbito do Sistema Único de Saúde é o de que a questão do trabalho e da formação e qualificação dos trabalhadores de saúde é um desafio do tamanho do SUS. O artigo também expõe as principais ações da gestão do trabalho no SUS em três grandes conjuntos de atividades: a gestão das relações de trabalho, o planejamento e o gerenciamento e a gestão da educação do trabalhador em saúde.

Área Temática:
Gestão do Trabalho
Autor:
MÜLLER NETO, J. S.
MENDES, E. V.
Período:
2005 a 2009