Produtividade e Desempenho dos Recursos Humanos nos Serviços de Saúde
A dificuldade em definir o que seja a produção na maioria das empresas de serviço reveste-se em um dos principais problemas para definir medidas de produtividade. Observa-se que a produtividade no setor saúde, dadas as suas características peculiares, dificilmente pode ser mensurada como um agregado. Ademais, é extremamente complicada a busca de caminhos possíveis para efetuar a desagregação de todas as particularidades. As dificuldades de se transportar os modelos de gestão aplicados na indústria para o setor de serviços são conhecidas, e consistem, entre outras, no fato de serem perecíveis, na interveniência do consumidor no processo de prestação de serviços, na simultaneidade entre prestação e consumo e na dificuldade de padronização e controle de qualidade. Um serviço é considerado como o efeito útil de um valor de uso, seja ele mercadoria ou trabalho. Trata-se de atividade cujo produto não assume forma de objeto oferecido diretamente ao consumidor. Define-se, portanto, essencialmente, por sua utilidade imediata, dirigida ao atendimento de uma necessidade, e realiza-se no âmbito do consumo privado, individual ou coletivo. Utilizando-se de uma simplificação conceitual é possível definir a produtividade em serviços como a razão entre os serviços prestados e o número de funcionários e equipamentos utilizados. A produtividade dos serviços de saúde, longe de significar um fato pontual, está na agenda de discussão das reformas do setor, embutida no rol de transformações políticas e sociais que colocam em cena a cidadania e a hegemonia das transformações do mundo capitalista. Independentemente do cenário que justifique mudanças, a ordem econômica comanda essas reformas. A ineficiência dos sistemas de saúde pode ser medida pela forma como são alocados os recursos no setor, que há muito demostram ausência de correlação entre os gastos em saúde e indicadores como esperança de vida e mortalidade infantil.