Dimensionamento de Recursos Humanos em Saúde ou a Vida Como Ela É
Um dos números mais desejados se relaciona à utopia de um quadro de profissionais que sirva para hospitais e/ou para ambulatórios, laboratórios e qualquer outro tipo de unidade. Em primeiro lugar, serviços públicos trabalham com lotações diferentes das dos privados. Serviços de alta complexidade requerem número e tipos de formação diferentes dos de complexidade mais baixa. Instalações que funcionam durante as 24 horas do dia têm necessidades diferentes das que funcionam em horário comercial. A forma de organização também influencia, porque é diferente operacionalizar o conceito de plantonistas ou a ideia de horizontalidade, em que as pessoas trabalham na unidade todos os dias da semana. Finalmente, a estratégia adotada influencia na quantidade de pessoas necessárias para o funcionamento de uma organização, tanto no setor público quanto no privado. Em segundo lugar, existem as culturas de cada serviço, que admitem suas peculiaridades. Há lugares em que faltas e atrasos são aceitos, lugares em que folgas são vistas como alternativas de remuneração, serviços em que há horários de café mais ou menos longos. Em resumo, é possível quantificar necessidades de recursos humanos. Para que ela faça sentido, quem encomenda deve ter claras as premissas com as quais trabalha. Ao mesmo tempo, quem faz a planilha de quantificação precisa reconhecer os limites de seu instrumento e garantir que os gestores e gerentes que virão a utilizá-la também os conheçam. Há muitas técnicas possíveis e muitos modelos aceitáveis. O tomador de decisões deve saber o que ele quer e, dessa forma, as bases de cálculo serão úteis. Conhecida a base de cálculo, a causa dos resultados pouco satisfatórios observados nos serviços poderá ser compreendida. Isso pode levar a mudanças na tabela, na questão pontual do trabalho ou na organização como um todo.