Atração, Retenção e a Lógica da Gestão de Recursos Humanos: um Estudo sobre os Médicos da Saúde da Família em Belo Horizonte
O objetivo do trabalho é identificar e discutir, na perspectiva da gestão de recursos humanos, os fatores associados à atração e retenção de profissionais médicos no Programa Saúde da Família em Belo Horizonte, procurando compreender os principais condicionantes das escolhas dos médicos que determinam sua opção ou não pelo trabalho no PSF. Para isso, o estudo partiu de um referencial teórico que está estruturado em três eixos: a organização atual da saúde no Brasil e a inserção do PSF enquanto modelo de atenção primária; a gestão de recursos humanos e sua contextualização no setor de saúde; e o médico no contexto do PSF, abordado do ponto de vista dos fatores de atração e retenção, da sociologia das profissões, do mercado de trabalho e da prática da profissão no PSF. A partir da revisão de literatura, foi possível extrair um conjunto de temas diretamente ligados à atração e fixação desses profissionais, que foram agrupados em cinco dimensões: fatores individuais; organização do trabalho; gestão; condições de trabalho; e cultura e identidade. Para a realização da pesquisa foram entrevistados 21 médicos, sendo 15 integrantes do PSF e seis que fazem parte do grupo de apoio à equipe do PSF. O roteiro de entrevista utilizado abordou cada uma das dimensões citadas, além dos motivos que determinaram as escolhas profissionais dos médicos durante sua trajetória. A análise dos dados buscou confrontar a percepção dos médicos acerca de cada dimensão com os condicionantes de suas escolhas. Os resultados apontam três pontos principais: a percepção dos médicos em Belo Horizonte se alinha com o que foi encontrado na literatura sobre o tema; os fatores que atraem não necessariamente são os mesmos que retêm os médicos; existem pontos divergentes entre o que os profissionais consideram relevantes para seu trabalho e o que de fato determina suas escolhas.