A Força de Trabalho em Saúde
Neste artigo, o autor trata das diferenças entre força de trabalho e recursos humanos, das características do trabalho em saúde e do emprego em saúde. Quanto ao primeiro ponto, ele explica que força de trabalho é termo consagrado pela economia política, ligado particularmente à escola clássica, de Smith, Ricardo e Marx, prestando-se, atualmente, em diversos campos científicos, a um uso que é simultaneamente descritivo e analítico, no processo de conhecimento de fenômenos demográficos e macroeconômicos. Recurso humano, em contrapartida, é expressão advinda da ciência da administração e se subordina à ótica de quem exerce algum tipo de função gerencial ou de planejamento, seja no âmbito microinstitucional (órgão público ou empresa privada), seja no macroinstitucional (por exemplo, planejamento estratégico nacional). Usa-se o conceito de recurso humano, portanto, em função de propósito explícito de intervir em uma dada situação para produzir e aprimorar, ou ainda para administrar, esse recurso específico que é a capacidade de trabalho dos indivíduos. Ele é colocado ao lado de outros recursos, como os materiais e financeiros, igualmente suscetíveis de uma utilização “mais racional”. Já com relação ao segundo ponto, afirma que as atividades de assistência à saúde integram o amplo conjunto dos chamados serviços de consumo coletivo. Uma das características mais relevantes do processo de trabalho em saúde é a crescente coletivização dos agentes prestadores desses serviços, levando ao aparecimento do trabalho associado, realizado por diferentes tipos de profissionais em regime de cooperação técnica, seja em uma unidade isolada (clínica, hospital), seja em uma série hierarquizada de unidades (compondo, por exemplo, uma rede de atenção à saúde com complexidade crescente). Por último, afirma que a assistência à saúde se constitui em um setor que absorve proporções crescentes da força de trabalho total, nas sociedades capitalistas modernas.