A Força de Trabalho em Saúde no Contexto da Reforma Sanitária

Dispomos, atualmente, de grande quantidade de dados e informações sobre a força de trabalho em saúde no Brasil, como resultado de um esforço de investigação que se deu nos últimos cinco anos. No entanto, considerada no contexto da reforma sanitária, essa força de trabalho não pode se limitar a ser alvo de uma descrição, por meio dos números referentes a sua disponibilidade e seu uso, em seus distintos segmentos. Não basta quantificá-la e descrevê-la; devemos, ao contrário, estabelecer um juízo. Duas formas de avaliação podem ser feitas, nesse particular: de natureza macroeconômica, levando em conta os aspectos de capacidade de geração de emprego e absorção de pessoal recém-formado, dinamismo do setor no conjunto da economia, perspectivas de expansão etc.; de natureza política, que consiste em julgar se a dimensão, distribuição, composição interna e utilização da força de trabalho estão consistentes com as linhas e diretrizes da política nacional de saúde. No contexto da reforma sanitária, a avaliação política deve responder até que ponto aquelas características estão adequadas aos princípios de universalidade, equidade e resolutividade dos serviços. Nessa perspectiva, o autor menciona seis problemas que parecem representar significativos desafios à iniciativa da reforma sanitária. É o caso da concentração geográfica e institucional, que conspira contra os princípios de universalidade e descentralização do sistema de saúde; da composição interna da força de trabalho, com uma polarização entre a categoria de maior qualificação (médicos) e a de menor qualificação (atendentes); e da escolaridade do pessoal auxiliar, ou seja, baixos níveis de escolaridade formal da força de trabalho em saúde, no seu segmento de profissionais auxiliares.

Área Temática:
Força de Trabalho
Autor:
NOGUEIRA, R. P.
Período:
1985 a 1989