A Força de Trabalho em Saúde no Brasil dos Anos 70: Percalços e Tendências
Entre os objetivos do estudo está o levantamento e a sistematização de informações sobre o os recursos humanos em saúde, em seus diversos ângulos, de forma a possibilitar a criação de um banco de dados sobre o tema. Resolveu-se, em uma primeira etapa, concentrar a coleta de estatísticas e material informativo no período correspondente à década de 1970, com vistas a ampliar, futuramente, a base de dados “para frente e para trás no tempo” e viabilizar a elaboração de estudos de fôlego temporal mais longo. Outro objetivo foi estabelecer meios permanentes de atualização das informações existentes, visando produzir indicadores de conjuntura e estabelecer critérios de planejamento e gestão de recursos humanos. Observa-se que as políticas do setor, no início dos anos 1980, parecem orientar-se para a atenção integral à saúde da população. Isso exige, do ponto de vista dos recursos humanos, profissionais com formação e orientação mais generalista, bem como maior qualificação técnica, a nível de 2° grau. Paralelamente, torna-se necessária uma taxa maior de absorção dos empregos no próprio setor público, dado que o modelo calcado na iniciativa privada não proporcionou melhorias significativas nas condições de saúde, embora tenha sustentado grande número de empresas e grupos médicos que, sem os recursos públicos investidos no modelo, não teriam se expandido com tanta lucratividade. Cabe, na formulação dos programas de governo, esboçar estratégicas em que os recursos humanos em saúde estejam inseridos em uma perfeita coordenação técnica com os objetivos da política de saúde e da política econômica. Mas, nas definições desses objetivos, a técnica deverá ceder lugar à política, e a sociedade brasileira definidora, em última instância, das prioridades sociais, poderá estar incumbida, depois de 20 anos de arbítrio, de retornar ao seu papel de definir às prioridades políticas coerentes com suas reais necessidades.