A Cooperação Técnica Opas-Brasil e o Desenvolvimento de Recursos Humanos em Saúde: Trajetórias Históricas e Agendas Contemporâneas
Este trabalho discute, em perspectiva histórica, a cooperação técnica estabelecida entre a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS) e o governo brasileiro no domínio das políticas e dos programas de desenvolvimento de recursos humanos em saúde, a partir de meados da década de 1970. Considerando os organismos intergovernamentais, simultaneamente, como atores relevantes e arenas de negociação, as iniciativas deflagradas no âmbito da cooperação técnica são analisadas como contribuição fundamental para a institucionalização da área de recursos humanos em saúde no país, como parte das instâncias de gestão pública da saúde e como um acervo original de arranjos institucionais, experiências e abordagens metodológicas. Sempre recorrendo a documentos oficiais e a depoimentos de história oral, a cooperação Opas-Brasil é também discutida como espaço institucional singular, com atuação relevante para a organização do campo da saúde coletiva no Brasil e a própria gestação política do Sistema Único de Saúde brasileiro. Por fim, as ações da cooperação são analisadas como matrizes das experiências de cooperação técnica que se implementaram sob o arcabouço institucional do novo sistema de saúde brasileiro, cujos desdobramentos podem ser identificados na agenda e no modo de operação da cooperação técnica tal como realizada nos dias de hoje. A cooperação técnica Opas-Brasil foi capaz de operar como instância catalizadora de um movimento de reforma das instituições de saúde e que se expressava também no domínio das relações entre educação e trabalho em saúde. Em articulação com organizações estatais e extraestatais, foi também instância promotora de iniciativas que se revelaram estruturantes desse campo. A complexidade do seu arranjo e inscrição institucional possibilitou um tráfego relativamente autônomo entre posições de governo e de mobilização crítica da sociedade.