História, Saúde e Recursos Humanos: Análises e Perspectivas

A partir da última década do século XX, historiadores e profissionais e gestores de saúde de vários países têm crescentemente se interrogado e perguntado uns aos outros sobre a oportunidade, o sentido e a necessidade de incorporação da história no campo da saúde coletiva. Importantes periódicos científicos e profissionais desse campo passaram a dedicar espaço para essas reflexões e inquietações, criando seções específicas e permanentes dedicadas à história da saúde e da medicina. Instituições governamentais, internacionais e multilaterais, tais como a Opas e a Fundação Rockefeller, começaram a incorporar a história como elemento constitutivo da política de saúde. Como se sabe, esse não é um fenômeno novo. Ao contrário, ele está nas origens do que se convencionou chamar de medicina social, porém sua intensidade parece apontar para uma potencial renovação das relações entre história e saúde, em especial com o crescimento do envolvimento dos historiadores profissionais com a temática da saúde e da doença. A vantagem da história no debate sobre medicina baseada em evidências seria justamente sua capacidade de formular questões mais amplas, que outros não farão. Além disso, a análise histórica também possibilitaria a compreensão contextual e sociológica das políticas de saúde, evitando visões conspiratórias, instrumentais e acusatórias. O objetivo deste artigo é apresentar de modo ensaístico análises históricas no campo da saúde no ambiente latino-americano e suas potencialidades para as políticas de gestão do trabalho e formação de recursos humanos em saúde no Brasil e para uma agenda de trabalho e reflexão no âmbito da Rede de Observatórios de Recursos Humanos em Saúde.

Área Temática:
Recursos Humanos
Autor:
HOCHMAN, G.
XAVIER, P.
PIRES-ALVES, F. A.
Período:
2000 a 2004