A Crise da Força de Trabalho em Saúde

O Relatório Mundial da Saúde demonstrou que em todo o mundo o estresse e a insegurança vêm aumentando para os profissionais de saúde, em razão da complexa conjuntura na qual se combinam causas e problemas antigos e novos. A implementação de novos modelos de atenção, a introdução de novas tecnologias e a mudança do perfil epidemiológico têm um impacto direto sobre as necessidades de pessoal pelos sistemas de saúde. A globalização, o envelhecimento da população e as novas expectativas dos consumidores podem também deslocar dramaticamente as demandas sobre a força de trabalho em saúde (FTS). Como parte da economia política global, a partir dos anos 1990, aumentou significativamente a migração internacional de médicos e, especialmente enfermeiros, buscando oportunidades e segurança no emprego em mercados de trabalho mais dinâmicos. Associaram-se a esse contexto as consequências negativas dos programas de ajustamento e reforma financeira apoiados pelo Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial nos anos 80, culminando com importante redução das capacidades nacionais de gastos nas áreas sociais, como saúde e educação. Além disso, a emergência ou a reemergência de doenças de grande impacto na população e a aceleração da epidemia de HIV/AIDS, no mesmo período, contribui de maneira importante para aumentar a demanda por mais pessoal de saúde. Ainda que o conjunto de problemas não seja exatamente novo, esse contexto gerou o que se convencionou chamar de crise global da FTS, caracterizado pelo deficit global estimado em mais de 4 milhões de profissionais de saúde e a desigualdade regional, nacional e subnacional na distribuição e acesso à FTS. Tal desigualdade de distribuição afeta quase todos os países, inclusive o Brasil, com deficit de pessoal de saúde qualificado, particularmente nas regiões rurais, periferias urbanas ou de difícil acesso.

Área Temática:
Força de Trabalho
Autor:
DAL POZ, M. R.
Período:
2010 a 2015