Força de Trabalho em Saúde no Brasil: Principais Fontes de Informações
O objetivo deste artigo é analisar as principais fontes de dados existentes capazes de caracterizar o mercado de trabalho de saúde no Brasil, apresentando suas vantagens, fronteiras e limitações mais gerais. A discussão será focada por modalidades de pesquisas: domiciliares, estabelecimentos e registros administrativos. As autoras sugerem cautela ao comparar as bases entre si, tendo em vista que as principais fontes estatísticas descritas no presente artigo apresentam limitações metodológicas para captar os movimentos recentes de terceirização e de flexibilização das relações de trabalho existentes hoje no país, uma vez que essas bases oficiais só pesquisam empregos formais inseridos no mercado de trabalho em saúde. No entanto, existem inúmeras vantagens na utilização de pesquisas nacionais, como os censos, a Pesquisa Nacional de Domicílios e a Pesquisa Assistência Médico Sanitária, haja vista o amplo e rico leque de variáveis disponibilizadas por elas, que possibilitam um conhecimento acurado do mercado de trabalho e dão um indicativo ágil dos efeitos da conjuntura econômica sobre a estrutura ocupacional de saúde, além de atender a outras necessidades importantes para a formulação, o acompanhamento e a avaliação das políticas de saúde. O censo demográfico, por exemplo, é uma das ferramentas mais eficazes para a caracterização da estrutura ocupacional, devido à representatividade de sua base amostral e à desagregação de ocupações e atividades. Esse leque de variáveis que constituem a pesquisa possibilita um conhecimento acurado do mercado de trabalho em saúde de forma desagregada em nível de município e distrito. A sua única limitação na área da saúde diz respeito à sua periodicidade, que é decenal, período muito longo para se captarem, com precisão, as rápidas mudanças que ocorrem entre os anos intercensitários no mercado de trabalho.