Negociação Permanente: uma Estratégia de Gestão Possível nas Instituições de Saúde?
Um dos grandes desafios da administração, tanto pública quanto privada, consiste em gerenciar os conflitos nas organizações, em paralelo ao atendimento adequado das demandas da sociedade e, mais especificamente, dos usuários e dos consumidores de produtos e serviços. Nesse cenário, a prática da negociação coletiva conquistou um espaço privilegiado por meio das mesas de negociação permanente. Tal proposta de gestão do trabalho na saúde se apresenta como inovadora, pois viabiliza um espaço de comunicação direta entre os diferentes segmentos de trabalhadores, gestores e usuários. Considerando a complexidade das organizações de saúde, no que concerne à sua gestão, espera-se que as mesas possam proporcionar uma compreensão recíproca dos problemas que se colocam tanto para os trabalhadores quanto para os gestores. O objetivo deste trabalho foi compreender a dinâmica de funcionamento da Mesa de Negociação na Secretaria de Saúde do estado do Rio Grande do Norte. Para os autores, ela foi efetiva no alcance dos resultados propostos, pois simbólica e objetivamente, a instalação da mesa representou a construção de um espaço para a democratização das relações de trabalho. Ainda que alguns atores tenham restrições sobre a sua efetividade, todos reconhecem que ela produziu momentos de discussão, de troca e apresentação de informações que, de outra forma, não seriam obtidos. O contato dos sindicatos com gestores e mesmo com outros sindicatos produziu uma compreensão melhor do modo de ação de uns e outros. Ela também aproximou atores que operavam isoladamente e possibilitou as negociações para a elaboração conjunta do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração dos servidores da saúde, o que representou, para vários integrantes da mesa, uma conquista. Com isso, houve maior comprometimento com sua instalação.